Conversando com uma Nutricionista

A Naila é nutricionista especialista em nutrição pediátrica, e fez um post pra gente respondendo algumas dúvidas de nossas leitoras e dando dicas super legais. Ela tem um consultório no RJ, e vale a pena uma visita!! No final do post vou deixar os contatos dela!! 

 

@cintia_reis.psi: Quando a criança insiste em não comer carnes de jeito nenhum (frango, boi e peixe) nem batida numa sopa que ela não veja… faz o quê? Devemos dar vitaminas e ferro em forma de remédio? 

Uma criança pode, sim, viver sem comer carnes (frango, boi e peixe) e ter uma alimentação equilibrada e saudável. Para isso, alguns ajustes na rotina alimentar devem ser feitos para atingir as quantidades de proteína, ferro e vitamina B12 necessárias para a idade. Sugiro que uma nutricionista seja consultada. Mas, adiantando algumas dicas: na ausência das carnes, aumente a quantidade de leguminosas (feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico) no pratinho, inclua sempre vegetais verdes-escuros (brócolis, couve, espinafre, bertalha, taioba, rúcula, agrião) no prato do almoço e jantar, a quinoa pode ser incluída nas preparações (com o arroz fica ótima), polvilhe salsinha ou coentro fresco sobre o pratinho pronto e sempre ofereça frutas ricas em vitamina C (laranja, abacaxi, acerola, tangerina, kiwi, mamão, manga, goiaba) após as refeições.

Quanto aos suplementos de vitaminas e minerais, dependendo do consumo alimentar, devem ser usados, sim. Consulte sua nutricionista ou pediatra.

 

@cintia_reis.psi: Meu filho parou de comer muitos alimentos saudáveis e a resistência é enorme. Não sei mais o que fazer. Sempre me orientam a deixar ele com fome, mas por quanto tempo? Ele já passou mais de 18 h sem aceitar nada e chora muito de fome; mas não prova e não come nada que não seja do agrado dele, aí eu cedo e dou mamadeira. Ele tem 3 anos e me sinto perdida, já passamos por diversas nutris, pediatras e agora estamos na psicóloga e ate agora nada. Nenhum estimulo como um doce ou brinquedo em troca funcionam como motivação. Ele passa dias só comendo fubá cozido, ás vezes consigo por feijão junto. Até batata e nuggets ele rejeita. Se puder me ajudar.

O período que engloba a idade de 2 a 6 anos é uma fase de transição: a criança sai de uma fase de total dependência para entrar em uma fase de maior autonomia. Esta etapa se caracteriza por ser um período de diminuição do ritmo de crescimento, portanto, há um decréscimo das necessidades nutricionais e do apetite. A diminuição da ingestão alimentar a partir dos 2 anos de idade é fisiológica. Essa fase também se caracteriza por um comportamento alimentar imprevisível e variável: a quantidade ingerida de alimentos pode oscilar, sendo grande em alguns períodos e nula em outros; caprichos podem fazer com que o alimento favorito de hoje seja inaceitável amanhã, ou que um único alimento seja aceito por muitos dias seguidos.

É preciso paciência, mas algumas dicas podem ajudar:

•?Antes de mais nada, torne o momento da refeição agradável e descontraído. O ambiente deve ser calmo e tranquilo, sem televisão ligada, tablet ou quaisquer outras distrações como brincadeiras e jogos. Vale uma música calminha, uma mesa sempre bonita e convidativa e, também, contar uma boa história e relacionar os alimentos recusados a super-heróis ou personagens de desenho. O ambiente tranquilo favorecerá a confiança e o prazer da criança em se alimentar.

•?A criança sempre deve comer acompanhada. A aceitação dos alimentos se dá não só pela repetição à exposição, mas também pelo condicionamento social, e a família é o modelo para o desenvolvimento de preferências e hábitos alimentares. Se a família tem bons hábitos, a criança os incorpora com o passar do tempo. A criança deve ser confortavelmente acomodada à mesa junto com os outros membros da família desde o seu primeiro ano para que observe outras pessoas se alimentando.

•?É muito frequente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que a criança consegue ingerir. Pratos grandes, além de não a estimularem a criança a comer, trazem aversão, pois ela já se satisfaz só de olhar. O tamanho das porções nos pratos deve estar de acordo com o grau de aceitação da criança. Ao final da refeição, deve-se preguntar se a criança deseja mais; se houver pedido de mais comida, é conveniente servir uma porção menor do que a primeira.

•?Respeite o direito da criança a ter preferências e aversões. Não demonstre irritação ou ansiedade no momento da recusa. Eu sei que é bastante difícil, mas é fundamental que a criança sinta-se confortável no momento da refeição. Não force, ameace, puna ou obrigue a criança a comer, assim como não se deve oferecer recompensas e agrados. Essas atitudes reforçam a recusa alimentar e desgastam os pais e os filhos.


•?A criança deve aprender, desde pequena, a comer nos horários determinados pela família. As refeições e lanches devem ser servidos em horários fixos todos os dias, com intervalo de, no mínimo, três horas para que a criança sinta fome na próxima refeição. É muito importante que não se ofereça alimentos, sucos ou leite nesses intervalos, mesmo quando a criança comeu pouco ou não comeu nada na última refeição. Os horários e a rotina devem ser seguidos. 


•?Quando a criança recusa a refeição principal, não se deve oferecer outro alimento no lugar. Neste caso, o melhor é aguardar mais meia hora e oferecer novamente a mesma refeição. Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a refeição deverá ser encerrada e somente na próxima é que algum alimento deverá ser oferecido. 


•?Diante da recusa alimentar, continue a oferecer a refeição completa e continue a oferecer todos os alimentos do prato. Somente é possível educá-los na presença dos alimentos, concorda? Sem alimentos à vista, sem educação alimentar. Caso a criança recuse todo o prato na presença de um alimento que ela rejeite, ofereça esse alimento em um pratinho separado, mas é importante que ele componha a refeição e que esteja à vista.


•?Leve seu filho para a cozinha quando você for cozinhar. Ver o adulto preparando os alimentos, higienizando, cortando, cozinhando e, até o próprio cheiro da comida sendo feita, estimula o interesse e o apetite da criança. Ele pode ajudar em tarefas simples, como lavar os alimentos, rasgar com as mãos as folhas da salada, mexer uma salada, amassar com as mãos as massas, montar uma pizza caseira, etc.


•?Preparar receitas com a ajuda da criança também é uma ótima forma de despertar a curiosidade e o interesse pelo que foi preparado, além de aproximá-la do universo dos alimentos: suas cores, texturas, cheiros e sabores. A intimidade com a comida é fundamental para ser um “bom de garfo”. As crianças sentem muita satisfação em participar da preparação dos alimentos.
No mais, vale lembrar que existem evidências de que as crianças são capazes de ajustar a ingestão de alimentos e, consequentemente, são capazes de manter o crescimento e a saúde. Comer é um processo instintivo. O organismo regula a quantidade de energia que precisa por dia; se a criança não comer nada no almoço, por exemplo, ela acabará compensando nas outras refeições.

 

@carinamelloo: Boa tarde. Gostaria de saber se o Agave é bom para crianças. Meu filho tem 1 ano e até hoje não adocei os sucos, nem frutas, porém ele não aceita nada ácido/azedo. Até laranja deu para recusar agora.

O agave pode ser usado, sim. Assim como o açúcar de coco, ele tem um índice glicêmico menor que os outros tipos de açúcar e o mel, ou seja, o açúcar é liberado para o sangue mais lentamente, evitando picos de glicose sanguínea. Mas é bem importante que esse consumo seja moderado, no máximo, 1 colher de sopa por dia a partir de 1 ano de idade.

 

@viegasane: Criança pode comer pimenta?

Sim, pode. Os temperos usados para temperar a comida da criança devem ser aqueles do costume da família. Na Índia, por exemplo, a pimenta é usada no preparo de refeições para bebês, porque é o costume deles. 

Todos os temperos naturais podem ser usados desde a introdução da alimentação na rotina do bebê, sem restrições. Minha única dica é: use com moderação para que os temperos não mascarem os sabores dos alimentos, mas, ao contrário, os realcem.

 

Izabela Albuguethi De Marchi: Sou nutricionista e trabalho com leites vegetais. Indico para crianças acima de 12 meses não sendo os alergênicos (amêndoa) utilizo mais o de inhame, por exemplo. Mas qual seria sua conduta quanto a isso?

Antes de mais nada, vale ressaltar que o leite materno é o melhor leite para a criança até dois anos de idade ou mais e o consumo deste deve ser sempre priorizado. Uma criança que é amamentada não precisa de nenhum outro tipo de leite. Para quem acha que o leite após 1 ano de idade não é mais suficiente, vejam só:

 

Em relação à criança que, por algum motivo, não é mais amamentada a partir de um ano, eu sempre indico um composto lácteo específico para idade que tem uma distribuição de nutrientes formulada especialmente para atender as necessidades nutricionais dessa faixa etária. Uma segunda opção, caso a família não tenha acesso aos compostos lácteos, é o leite de vaca. Vale ressaltar que a alimentação nessa fase muitas vezes apresenta falhas (apetite instável, seletividade alimentar), não atingindo as recomendações diárias de nutrientes para a idade. Portanto, a escolha do leite é importante.


Os leites vegetais têm uma composição bem diferente do leite de vaca e das fórmulas lácteas, sendo pobre em alguns nutrientes como cálcio, fósforo e vitamina D – fundamentais para o crescimento e desenvolvimento infantil. Eles são indicados para crianças com alergia a proteína do leite de vaca (APLV) e, neste caso, sempre opto por fórmulas infantis que têm acrescidas em sua composição esses nutrientes que faltam. 
Portanto, exceto nos casos de APLV, não indico o consumo dos leites vegetais como substitutos do leite de vaca ou fórmulas infantis. Mas eles podem ser usados em receitinhas e preparações como purês e mingaus. Dicas para uso:

Lembrando que leite de oleaginosas (castanhas, avelã, nozes, etc) só são indicados para crianças acima de 3 anos.


Nutricionista Naila Soares - Especialista em Nutrição Pediátrica

Atendimento clínico na Barra da Tijuca – RJ.

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